MST - 1

Publié le par P.P.

Miguel Sousa Tavares (MST) est un écrivain-journaliste portugais qui tient une chronique hebdomadaire dans le journal sportif « A Bola ».

 

Comme le laisse supposer le titre de sa chronique (« Nortada »), ses textes concernent principalement le FC Porto (le plus important club de la région Nord du Portugal, en opposition aux Sudistes Benfica et Sporting).

 

Les sujets abordés sont divers dans la mesure où tout ce qui tourne autour de Porto peut faire l’objet de son point de vue critique, n’oubliant pas, bien évidemment, d’évoquer ce qui se passe dans les autres emblèmes du championnat…

 

La chronique « Nortada » est publiée chaque mardi et relate les événements du week-end. Afin de découvrir les opinions « pro-portistas » de MST (dont je suis partisan la plupart du temps), je vous conseille d’aller visiter le site web d’« A Bola » tous les mercredis (la chronique est publiée sur le net le lendemain de sa publication).

 

Pour vous faire patienter jusqu’à la semaine prochaine, vous trouverez ci-dessous la « Nortada » de cette semaine… en VO bien sûr ! Bonne lecture.

 

P.P.

 

 

"NORTADA" de Miguel Sousa Tavares

in A Bola, 16/08/2005

 

« Vai começar

 A três dias do início de mais um campeonato, os eternos candidatos apresentam-se à partida com estados de espírito diferentes. O FC Porto com esperanças renovadas e fundadas num novo treinador, novo tipo de jogo e reforços que prometem; o Sporting outra vez com uma bela equipa mas com o estigma de perder sempre nos momentos decisivos; e o Benfica com uma pré-época cheia de promessas atiradas ao vento e nula de realidades entusiasmantes. Vejamos, caso a caso.  

 

 

1 Quem, no passado sábado, arrostou com o calor desumano que se fazia sentir no Estádio do Dragão, sob um céu carregado de nuvens de fumo negro dos incêndios que massacraram o Norte nestes dias, pôde tirar algumas conclusões que, pelo que me apercebi das conversas de bancada, são consensuais e fruto do senso comum. Porém, bem sabemos que o senso comum dos adeptos e observadores raramente coincide com o dos treinadores. Ou porque estes sabem coisas que os adeptos não sabem ou porque sabem o mesmo mas querem fazer crer que sabem mais ou simplesmente porque são teimosos e persistem no erro como forma de vincar a sua personalidade. Co Adriaanse já mostrou ser um treinador de personalidade forte e ideias feitas. A maioria delas parecem-me acertadas mas dificilmente o vejo a rever as erradas. Aquilo que eu e os à minha roda vimos foram apenas detalhes num conjunto de ideias que, como já o escrevi na semana passada, se traduz num futebol francamente prometedor. Mas são detalhes que, em alguns casos, podem fazer a diferença:  

 

— Contra o Espanhol de Barcelona houve duas equipas claramente distintas, embora apenas tenham jogado 13 jogadores: uma, enquanto Hélder Postiga esteve em campo, sem capacidade de transposição do jogo para a frente, sem imaginação ofensiva, controlando o jogo mas de forma inócua e desinteressante; outra, após a saída de Postiga, a passagem do Jorginho para terrenos mais centrais e a exploração do flanco esquerdo por um verdadeiro extremo (Alan), que em 20 minutos revolucionou todo o futebol ofensivo, fez dois golos e um penalty desperdiçado e desbaratou por completo a organização defensiva dos catalães. Conclusão primeira: Hélder Postiga não serve para número 10.

 

— O 4x3x3 é um sistema que precisa claramente, pelo menos, de um extremo de raiz, que nem Jorginho nem Lisandro são. Mantendo- se o funesto (e esperemos que episódico) afastamento de Quaresma, com Ivanildo esquecido e César Peixoto transformado em lateral, a entrada no jogo de Alan foi um raio de luz e de lógica que desabou sobre o jogo.

 

— César Peixoto a lateral-esquerdo é uma experiência que promete, embora tenha de ser testada com equipas que ataquem e não contra o inofensivo Espanhol. O flanco esquerdo com ele e Alan foi um regalo para a vista e deu lhe mais 40 metros de campo para sair a jogar e impulsionar a equipa para a frente.

 

— Jorginho vai ser um jogador decisivo nesta equipa mas insisto que é uma pena encostá-lo ao flanco direito, onde está semi perdido, em lugar de o aproveitar na sua verdadeira posição, que é a do tal número 10 que Adriaanse busca.

 

— Diego regressou, mostrando as qualidades e os defeitos que já se conhecem — um dos quais é insistir em marcar livres e penalties, para o que lhe falta toda a competência.

 

— Lucho parece cansado e talvez precisasse e merecesse umas miniférias para poder voltar em pleno, ao contrário de Lisandro López, que, de facto, faz lembrar Derlei e é um elemento preciosíssimo.

 

— Falta velocidade sobre a bola aos centrais e muitos desastres hão-de acontecer ali, pelo centro da defesa.  

 

Vistos os detalhes, resta a conclusão principal: este FC Porto de Adriaanse é, entre os três candidatos, claramente aquele que melhor e mais eficiente futebol mostra. Para consumo interno parece mais que suficiente. Mas, olhando para a equipa e para o banco de suplentes, é inevitável que as expectativas para a época que começa estejam bem acima da SuperLiga.  

 

2 O Sporting só tem uma saída para salvar, financeira e desportivamente, a época: ir a Udine ganhar o jogo e a eliminatória. Pelo que se viu em Alvalade a tarefa é mais que possível, tudo depende da crença, da coragem e da lucidez da equipa.O problema é que certas coisas, como as recorrentes declarações de Dias da Cunha, insistindo sempre em que a culpa é dos árbitros, seja cá ou lá fora, apenas contribuem para uma mentalidade de desresponsabilização e fatalismo que ameaça tornar-se uma imagem demarca desta equipa e deste treinador. Na Europa é preciso aprender a conviver com os erros dos árbitros (e, contra a Udinese, houve apenas um, nem sequer flagrante). As grandes equipas, as que verdadeiramente confiam em si próprias e querem ganhar, não perdem tempo a reclamar os erros dos árbitros, seguem em frente e continuam até vencer. Se tivesse adoptado a filosofia de Dias da Cunha, de que mais vale perder podendo reclamar do árbitro que ousar vencer apesar dele, o FC Porto de Mourinho nunca teria eliminado o Manchester United e depois o Corunha, a caminho da inesquecível noite de Gelsenkirchen. Mas no Sporting parece que o mais importante não é o jogo da equipa nem os resultados que se obtêm mas sim ouvir as eternas lamúrias do seu presidente, no final dos jogos.  

 

3 Benfica viveu uma pré época de pesadelo. A grande mobilização de sócios sonhada por Filipe Vieira não conseguiu encher um estádio e acabou a transformar o tão propagandeado Benfica em Festa numa patética feira de comes e- bebes sem clientes. A somar a isso, José Veiga mostrou-se um pífio negociador fora do cantinho pátrio onde tantos dirigentes de clubes estão sempre disponíveis para prestar vassalagem ao Benfica, mesmo que depois se venham queixar que não viram a cor do dinheiro acertado ou que foram atraiçoados pelas costas. Lá, onde o mercado depende do peso e da capacidade negociais, Veiga limitou-se a levantar lebres antes de tempo, alimentando o seu ego com as inúmeras reportagens sobre os seus contactos negociais de alto nível, traduzidos num rol sonante de aquisições que já entrou no anedotário nacional: Dedé, Robinho, Kezman, Tomasson, Kalou, Saviola, etc. e tal, uma série de vedetas que, a fazer fé nas reportagens, «já pensavam à Benfica» e nada mais desejavam que aterrar no Estádio da Luz, pela mão de José Veiga. Agora, mercê de um golo banal, Nuno Gomes já está a ser recuperado como um dos dois homens-golo que aí vinham ou vêm e José Veiga já explica que, se eles ainda não chegaram, é porque o Benfica só quer do melhor e «não compra por comprar». E o melhor, vá-se lá saber porquê, prefere o Estugarda, o Mónaco ou o Sevilha ao clube que já anunciou que este ano vai chegar à final da Champions (pelo menos está dispensado da pré-eliminatória...). Mas lá ganhou a Supertaça a um Vitória de Setúbal que se adivinha vai ter grandes dificuldades em manter-se na SuperLiga. É verdade que ganhou da forma habitual, jogando no seu estádio do Algarve,marcando um golito, fortuito e irregular, tendo a sua dose de sorte q.b. e jogando um futebol confrangedor. É o que se arranja de palpável. »

 

Source: http://www.abola.pt/colunistas/index.asp?op=ver&texto=1515

 
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